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O presente trabalho tem como objetivo investigar os efeitos de biomateriais à base de celulose bacteriana sobre o reparo periodontal, considerando suas propriedades estruturais e biológicas. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura que reúne evidências científicas recentes sobre o uso da biocelulose como matriz para regeneração tecidual. Foram incluídos estudos de pesquisa científica não clínicos publicados nos últimos cinco anos sem distinção de língua e excluídos estudos sem grupos controle (negativo ou positivo) para comparação. Foram analisados quatro estudos. Os resultados evidenciaram que a biocelulose promove formação óssea e integração tecidual, especialmente quando combinada a outros materiais bioativos. Conclui-se que a biocelulose é um biomaterial promissor para aplicações em engenharia periodontal, embora mais estudos clínicos sejam necessários para consolidar sua eficácia e segurança.
As lesões endoperiodontais (LEPs) são patologias onde observa-se uma inter-relação entre a polpa e o periodonto que podem transmitir a infecção pulpar ao tecido periodontal e vice-versa, resultando em destruição dos tecidos de suporte do dente. Um diagnóstico preciso é essencial, pois os sintomas podem se assemelhar a outras patologias orais. O presente trabalho tem por objetivo relatar um caso clínico sobre o manejo endodôntico e periodontal de um paciente diagnosticado com uma lesão endoperiodontal. Trata-se de um relato de caso clínico realizado em uma clínica escola de uma Faculdade particular em juazeiro do Norte-CE, onde descreve um paciente de 46 anos diagnosticado com periodontite e lesão endoperiodontal. Após exames clínicos e radiográficos, foi seguido um protocolo terapêutico que se iniciou com terapia endodôntica do elemento 47, seguida por raspagem periodontal supra e subgengival, cirurgia de acesso e restauração definitiva desse elemento. O acompanhamento clínico e radiográfico ao longo de 12 meses demonstrou evolução favorável, com regressão da lesão, formação óssea evidente, redução da profundidade de sondagem e melhora do quadro inflamatório. O caso ressalta a importância da abordagem interdisciplinar e do tratamento conservador como alternativa viável à exodontia em casos complexos, promovendo a manutenção funcional e estrutural do dente acometido.
A periodontite é uma doença crônica e inflamatória de alta prevalência que resulta na reabsorção do osso alveolar, decorrente da ação de mediadores inflamatórios que atuam sobre o processo de osteoclastogênese. Embora muito se conheça sobre sua patogênese e formas de tratamentos, novas alternativas vêm sendo buscadas visando diminuir ou paralisar as sequelas da periodontite. Neste sentido, destaca-se o Alendronato (ALN), fármaco pertencente à classe dos Bifosfonatos, devido a sua alta capacidade antirreabsortiva. Logo, o presente artigo analisou estudos (in vivo) não clínicos e clínicos, acerca dos efeitos da administração do gel de alendronato quando aplicado como coadjuvante no tratamento da periodontite. Foram consultados os bancos de dados Biblioteca Virtual em saúde, Medline/Pubmed e Scopus e coletados estudos de pesquisa científica publicados em inglês e português nos últimos 20 anos, que avaliaram os efeitos da administração local do gel de alendronato no tratamento da periodontite. Foram excluídos estudos que não avaliaram marcadores da reabsorção e/ou formação óssea ou que abordavam a utilização do Alendronato em associação com outras substâncias. Durante a pesquisa, foram encontrados 11 estudos clínicos e 02 estudos não clínicos que em unanimidade demonstraram resultados benéficos da aplicação do gel de Alendronato em todos os parâmetros avaliados, mesmo em situações clínicas diversas, como durante o tratamento de defeitos infraósseos em indivíduos fumantes e diabéticos, assim como aumento quantitativo de fibras colágenas e redução de marcadores osteoclastogênicos e consequentemente maior preenchimento ósseo nos estudos em animais. Conclui-se que o gel de ALN se mostrou benéfico como coadjuvante ao tratamento da periodontite. No entanto, mostra-se necessário estudos mais abrangentes, para obtenção de resultados a longo prazo, especialmente no que diz respeito ao estudo de efeitos adversos desta terapia.
O envelhecimento é um processo natural que envolve mudanças físicas, neuropsicológicas e sociais, afetando a qualidade de vida dos idosos. A prevalência de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e as neurodegenerativas, associadas à demência, aumenta com a idade. A demência, particularmente, está associada ao comprometimento cognitivo, dependência e solidão contribuindo para o uso simultâneo de vários medicamentos. A literatura vem demonstrando uma relação entre a disfunção cognitiva em idosos e alterações no fluxo salivar e xerostomia. Logo, o objetivo do presente estudo foi revisar estudos epidemiológicos a respeito da secreção do fluxo salivar e a xerostomia correlacionando-os com casos diagnosticados de demência. Para tal, foram consultados os bancos de dados da Biblioteca Virtual em Saúde, Medline/Pubmed e Scopus, coletando 323 estudos de pesquisa científica publicados em inglês e português nos últimos 30 anos. Incluiu-se estudos epidemiológicos do tipo observacionais que avaliaram a secreção salivar e/ou a xerostomia e/ou a relação entre essas duas variáveis e a utilização de medicamentos em pacientes idosos com demência e excluiu-se estudos que não buscaram avaliar pelo menos um parâmetro bucal relacionado a mensuração da secreção salivar e/ou xerostomia em pacientes idosos com demência e estudos sem a presença de um grupo controle. Desta forma, somente 07 estudos demonstraram que idosos com demência quando comparados aos idosos saudáveis apresentaram maior redução da secreção salivar e/ou sensação de boca seca. Além de apresentarem maior consumo de medicamentos xerostômicos como anti-hipertensivos e antidepressivos. Concluiu-se que a redução do fluxo salivar é maior em idosos com Alzheimer e o uso de medicamentos pode aumentar o desenvolvimento de sinais e sintomas relacionados à xerostomia e hipossalivação, contudo, são necessários novos estudos epidemiológicos que verifiquem a relação direta entre estas variáveis.
A periodontite é uma doença crônica e inflamatória caracterizada pela reabsorção óssea alveolar que pode comprometer a região interradicular, resultando em lesões de furca. A acessibilidade limitada e a complexidade da cicatrização dos defeitos de furca são os principais desafios associados a esses dentes, sendo requerida muitas vezes terapias adjuvantes. O ácido hialurônico (AH) devido a capacidade de estimular a migração celular e o reparo, parece ser um agente promissor para esta finalidade. A presente pesquisa analisou estudos de pesquisas científicas sobre a eficácia do uso do ácido hialurônico (AH) no tratamento das lesões de furca. Para tal, foram consultados os bancos de dados da Biblioteca Virtual em Saúde, Medline/Pubmed e Scopus. Foram incluídos estudos in vivo (não clínicos e clínicos) publicados entre 2003 a 2023 e excluídos estudos que não avaliaram marcadores da reabsorção e/ou formação óssea ou que abordassem a utilização do AH em associação com outros fármacos. Foram revisados 5 estudos científicos, 3 foram estudos em animais e 2 em humanos. Foi demonstrado nas pesquisas que o uso de AH isolado ou em associação com membranas resultou na regeneração das lesões de furca como demonstrado pela redução da profundidade do defeito e aumento do preenchimento ósseo, além de estimular a formação de cemento e do ligamento periodontal. Em suma, apesar de mais estudos serem necessários para avaliação das variáveis de forma mais clara, o AH pode ser considerado um agente bioativo promissor para o tratamento de lesões de furca, por demonstrar melhorar a regeneração, impactando positivamente na saúde periodontal.
A periodontite é uma doença crônica e inflamatória, resultante da disbiose dos periodontopatógenos associada a uma desregulação da resposta inflamatória do hospedeiro, acarretando em casos mais avançados a perda do elemento dentário. A Diabetes Mellitus é uma síndrome metabólica de um grupo de distúrbios caracterizados por hiperglicemia. Ao discutir a relação bidirecional entre periodontite e diabetes, observa-se que indivíduos com diabetes têm maior risco de desenvolver periodontite em estágios mais avançados, por outro lado, a periodontite também agrava o controle glicêmico, aumentando a resistência à insulina. O objetivo do presente estudo foi compreender a inter-relação entre periodontite e diabetes mellitus e desenvolver uma cartilha educativa para promover e prevenir a ocorrência da periodontite em pacientes diagnosticados com diabetes mellitus, por meio da propagação de informações claras, orientações práticas e estratégias de autocuidado.
A periodontite é uma doença crônica e inflamatória causada por uma disbiose da microbiota oral associada a uma resposta imunológica exacerbada do hospedeiro, podendo acarretar a perda do elemento dentário. Estudos têm relatado uma associação da periodontite na progressão e/ou desenvolvimento de condições sistêmicas como é o caso da Doença Hepática Gordurosa não Alcoólica (DHGNA), definida como acúmulo de gordura nas células hepáticas associadas à resistência à insulina. O presente estudo analisou sistematicamente a literatura científica, a fim de compreender como a periodontite isoladamente é capaz de influenciar o desenvolvimento da DHGNA. Para tal, foram consultados bancos de dados Biblioteca virtual de saúde (BVS), PubMed e Scopus e incluídos artigos de pesquisas não clínicas in vivo, na língua inglesa e portuguesa publicados entre 2013 a 2024 e excluídas pesquisas que avaliaram a periodontite em associação com outras comorbidades sem a presença de um grupo controle, bem como estudos que não avaliaram parâmetros periodontais ou marcadores de lesão e/ou função hepática. Foram revisados 17 estudos. As pesquisas buscaram induzir a periodontite por ligadura ou através de periodontopatógenos em diferentes tempos de indução. A periodontite foi bem estabelecida como evidenciado através do aumento da inflamação, reabsorção óssea alveolar visto por macroscopia e/ou histologia. Em relação às análises hepáticas, 11 estudos incluídos demonstram que a periodontite foi capaz de induzir o aumento da inflamação e da esteatose no fígado, somada a alterações da função deste órgão. Mudanças no microbioma intestinal e especialmente o estresse oxidativo, parece desempenhar um papel importante nesta patogênese. Todavia, mais estudos são necessários para entender de forma mais clara as vias inflamatórias intracelular que expliquem esta inter-relação.