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A prevalência de dentes impactados é definida em 1,7% da população, com os caninos sendo os segundos dentes mais afetados, comparados aos terceiros molares. Essa condição ocorre com maior frequência na região palatina e é mais comum no sexo feminino. Sempre que possível, recomenda-se o tracionamento dos caninos impactados devido à sua importância estética, funcional e pela participação nos movimentos mandibulares. A decisão entre preservar ou extrair o dente impactado deve levar em consideração aspectos clínicos, como a existência de lesões patológicas ou reabsorções radiculares, a idade do paciente, o ângulo de inclinação do dente, espaço disponível no arco, proximidade com as raízes dos incisivos laterais, presença de dilacerações radiculares e sinais de anquilose. O diagnóstico precoce é essencial para o êxito do tratamento, pois a impactação pode interferir no desenvolvimento da oclusão e causar danos aos dentes e estruturas adjacentes. Para a definição da conduta terapêutica mais apropriada, cirúrgica e/ ou ortodôntica, é importante a atuação interdisciplinar entre Ortodontista e Cirurgião Bucomaxilofacial. Essa cooperação tem como objetivo restaurar tanto a função quanto a estética, assegurando a escolha do método mais adequado para cada situação clínica. O sucesso do tratamento está diretamente relacionado a um planejamento personalizado e detalhado, fundamentado em exame clínico minucioso e em recursos radiográficos e tomográficos. O presente estudo visa apresentar, por meio de uma revisão de literatura, a aplicação do cantilever no tracionamento ortodôntico de caninos superiores permanentes inclusos/impactados, destacando aspectos como etiologia, diagnóstico, prevenção, prognóstico, tracionamento e possíveis complicações. Conclui-se que os caninos desempenham papel essencial na função da arcada dentária, e que a impactação desses dentes requer uma abordagem integrada para garantir resultados clínicos satisfatórios.
A má oclusão de Classe II de Angle, frequentemente associada ao retrognatismo mandibular, representa uma das discrepâncias dentoesqueléticas mais prevalentes na clínica ortodôntica. Este trabalho tem como objetivo relatar o caso clínico de uma paciente adulta com Classe de Angle II esquelética tratada com o propulsor mandibular fixo Twin Force Bite Corrector. O estudo foi delineado como relato de caso clínico observacional e descritivo, com base em documentação ortodôntica completa, incluindo análises cefalométricas e registros fotográficos. A paciente apresentava apinhamento anterior, overjet acentuado e perfil convexo. O tratamento consistiu na instalação de aparelho ortodôntico autoligado, seguido da inserção do Twin Force para correção da discrepância ântero-posterior maxilomandibular. Como resultados parciais, observou-se a obtenção de relação molar e canina em Classe I, redução do ângulo ANB e melhora estética do perfil facial. O dispositivo demonstrou ser eficaz e bem aceito clinicamente, com efeitos colaterais dentoalveolares controlados por meio de planejamento biomecânico, como o uso de fios retangulares para controle de torque dos incisivos inferiores. Conclui-se que o Twin Force Bite Corrector representa uma alternativa terapêutica previsível e eficiente para correção da Classe II esquelética, especialmente em pacientes com baixa adesão ao uso de elásticos intermaxilares..
A má oclusão de Classe II de Angle, especialmente quando associada a apinhamento anterior severo, representa um desafio comum na prática ortodôntica, exigindo abordagem terapêutica personalizada e biomecânica eficiente. Este relato de caso descreve o tratamento de uma paciente adolescente, portadora de Classe II dentoesquelética, padrão dolicofacial leve, retrusão bimaxilar e apinhamento dentário severo. O planejamento incluiu a realização de exodontias dos primeiros pré-molares (14, 24, 34 e 44), instalação de aparelho autoligado Roth SLP em ambas as arcadas e uso de distalizador com ancoragem esquelética por miniparafusos ortodônticos (MPO). A mecânica ortodôntica contemplou a aplicação de fios termoativados em sequência, desgastes interproximais (IPR) e elásticos intermaxilares, visando o alinhamento, retração incisiva, controle vertical e intercuspidação funcional. A análise cefalométrica, utilizando os métodos de Ricketts, Unicamp e USP, apontou padrão esquelético Classe II com retrusão bimaxilar, ângulo interincisal diminuído e protrusão dos incisivos, justificando a estratégia terapêutica adotada. Após 14 meses de tratamento, observou-se significativa melhora no alinhamento dentário, na relação anteroposterior e no equilíbrio do perfil facial, com manutenção da ancoragem e controle eficaz de torque. Conclui-se que a associação de extrações estratégicas, ancoragem esquelética e dispositivos autoligados permite alcançar resultados previsíveis e estáveis, sendo uma alternativa segura e eficaz em casos de alta complexidade ortodôntica.
A má oclusão Classe II de Angle caracteriza-se, pela relação distal dos molares inferiores em relação aos superiores, apresenta etiologia multifatorial e pode resultar de alterações dentárias, esqueléticas ou ambas. Sua correção demanda avaliação criteriosa, especialmente em pacientes em crescimento, considerando aspectos estéticos, funcionais e oclusais. Este trabalho apresenta o relato clínico de uma paciente de 11 anos com má oclusão Classe II, mordida cruzada posterior unilateral, apinhamento anterior e desvio de linha média inferior. O tratamento foi conduzido utilizando aparelho fixo autoligado com técnica Roth SLP, fios de níquel-titânio e aço, e elásticos intermaxilares Classe II. A escolha por bráquetes autoligados favoreceu a expansão das arcadas e o alinhamento dentário sem necessidade de extrações. A correção da má oclusão envolveu mecânicas com elásticos intermaxilares proporcionando melhora no overjet, equilíbrio na relação molar e canina, correção da linha média e harmonia do sorriso. A literatura aponta que, embora existam diversas abordagens terapêuticas para Classe II como aparelhos funcionais, extrações, cirurgia ortognática e ancoragem esquelética , o sucesso depende da individualização do plano de tratamento, colaboração do paciente e momento da intervenção. O caso apresentado demonstrou evolução funcional e estética satisfatória, evidenciando que recursos ortodônticos conservadores, quando bem indicados, são eficazes na correção de más oclusões em pacientes em crescimento. O relato reforça a importância de um diagnóstico preciso e de uma conduta terapêutica baseada em evidências e adaptada às características individuais de cada paciente
A má oclusão de Classe II representa uma das alterações dentoesqueléticas mais prevalentes na prática ortodôntica, caracterizando-se por uma discrepância anteroposterior entre as arcadas dentárias, frequentemente associada ao retrognatismo mandibular, protrusão maxilar ou à combinação de ambos. Dentre as abordagens terapêuticas disponíveis, a extração de pré-molares se destaca como uma estratégia consolidada, especialmente nos casos que requerem retração dos dentes anteriores, correção de apinhamento dentário e melhora do perfil facial. Contudo, essa conduta é alvo de intensos debates quanto à sua real necessidade, impacto estético e estabilidade a longo prazo. Este trabalho teve como objetivo realizar uma revisão crítica da literatura publicada entre 2010 e 2025, abordando as principais indicações, resultados clínicos e as controvérsias que envolvem o tratamento da Classe II com extrações. Foram incluídos estudos clínicos, revisões sistemáticas e metanálises que discutissem direta e especificamente o uso de extrações de pré-molares no tratamento da Classe II. A análise contemplou aspectos diagnósticos, biomecânicos, funcionais e estéticos, além de comparações com abordagens não extrativas. Os resultados demonstram que as extrações são eficazes na obtenção de correções oclusais estáveis, retração dos incisivos superiores e melhora do perfil tegumentar, sendo indicadas principalmente em casos com protrusão dentoalveolar, apinhamento severo, overjet aumentado e ausência de crescimento remanescente. Por outro lado, foram identificadas críticas quanto ao possível achatamento facial, perda de suporte labial e implicações na via aérea, especialmente em pacientes com perfil facial já retraído. Além disso, novas tecnologias, como os dispositivos de ancoragem temporária (TADs), distalizadores e alinhadores, ampliaram as possibilidades de tratamentos conservadores, tornando a decisão pela extração mais criteriosa. A literatura indica que a estabilidade pós-tratamento depende mais da correta indicação, planejamento biomecânico e contenção adequada do que da extração em si. A Ortodontia contemporânea caminha para uma abordagem individualizada, baseada em evidência científica, avaliação tridimensional e integração interdisciplinar, priorizando o equilíbrio entre função, estética e estabilidade. Conclui-se que o tratamento da Classe II com extrações continua sendo uma ferramenta terapêutica válida, desde que empregada com critério técnico e ético, respeitando as particularidades de cada caso e os objetivos funcionais e estéticos do paciente.