TRATAMENTO ORTODÔNTICO DA CLASSE II COM EXTRAÇÕES: UMA REVISÃO CRÍTICA SOBRE INDICAÇÕES, RESULTADOS E CONTROVÉRSIAS
Renato Richelles Rodrigo Cordeiro A má oclusão de Classe II representa uma das alterações dentoesqueléticas mais prevalentes na prática ortodôntica, caracterizando-se por uma discrepância anteroposterior entre as arcadas dentárias, frequentemente associada ao retrognatismo mandibular, protrusão maxilar ou à combinação de ambos. Dentre as abordagens terapêuticas disponíveis, a extração de pré-molares se destaca como uma estratégia consolidada, especialmente nos casos que requerem retração dos dentes anteriores, correção de apinhamento dentário e melhora do perfil facial. Contudo, essa conduta é alvo de intensos debates quanto à sua real necessidade, impacto estético e estabilidade a longo prazo. Este trabalho teve como objetivo realizar uma revisão crítica da literatura publicada entre 2010 e 2025, abordando as principais indicações, resultados clínicos e as controvérsias que envolvem o tratamento da Classe II com extrações. Foram incluídos estudos clínicos, revisões sistemáticas e metanálises que discutissem direta e especificamente o uso de extrações de pré-molares no tratamento da Classe II. A análise contemplou aspectos diagnósticos, biomecânicos, funcionais e estéticos, além de comparações com abordagens não extrativas. Os resultados demonstram que as extrações são eficazes na obtenção de correções oclusais estáveis, retração dos incisivos superiores e melhora do perfil tegumentar, sendo indicadas principalmente em casos com protrusão dentoalveolar, apinhamento severo, overjet aumentado e ausência de crescimento remanescente. Por outro lado, foram identificadas críticas quanto ao possível achatamento facial, perda de suporte labial e implicações na via aérea, especialmente em pacientes com perfil facial já retraído. Além disso, novas tecnologias, como os dispositivos de ancoragem temporária (TADs), distalizadores e alinhadores, ampliaram as possibilidades de tratamentos conservadores, tornando a decisão pela extração mais criteriosa. A literatura indica que a estabilidade pós-tratamento depende mais da correta indicação, planejamento biomecânico e contenção adequada do que da extração em si. A Ortodontia contemporânea caminha para uma abordagem individualizada, baseada em evidência científica, avaliação tridimensional e integração interdisciplinar, priorizando o equilíbrio entre função, estética e estabilidade. Conclui-se que o tratamento da Classe II com extrações continua sendo uma ferramenta terapêutica válida, desde que empregada com critério técnico e ético, respeitando as particularidades de cada caso e os objetivos funcionais e estéticos do paciente.
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